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Autismo

No primeiro semestre de 2008, fiz o curso de Economia Brasileira aqui na pós-graduação da FEA-USP. O programa da disciplina, ministrada pelo meu orientador Renato Colistete, que deve se repetir nesse semestre, está aqui . Talvez vocês percebam que não leram metade ou mais dos textos desse programa. Muitos deles vocês nem ouviram falar. Por sorte, eu tive excelentes cursos de Economia Brasileira na minha graduação com o Pedro Fonseca e o Sérgio Monteiro. Mas observando outros lugares e mesmo os cursos que eu fiz, há alguma tendência do ensino de história econômica brasileira em direção ao autismo. Lê-se apenas os mesmo velhos autores de sempre, os clássicos brasileiros. Façamos um exame do que leram os alunos que fizeram graduação em Economia e tiveram Economia Brasileira. Eu aposto que: Todos leram Celso Furtado, Conceição Tavares e Barros de Castro, além dos textos da Ordem do Progresso e dos planos de estabilização (Chico Lopes, Larida, etc.) Quase todos leram Caio Prado, Werner Baer...

Palestra com Delfim...

Com o início das aulas na FEA-USP, tivemos o início de uma série de palestras (as quais serão quinzenais) organizadas pelo ex-ministro Delfim Netto, praticamente um patrimônio da FEA. A palestra inaugural contou com a participação de ilustres heterodoxos como João Sayad e Luiz G. M. Belluzzo. Embora os dois recém mencionados tiveram boas participações, a personalidade centralizadora e o sarcástico humor de Delfim dominaram a discussão. Creio que a melhor de suas piadas tenha sido a seguinte, ao comentar o caso da China: "Quando a bolsa incomoda, um governo que tem um enorme número de estatais dá um jeito. Falo isso por experiência própria (risos da platéia). Quando a bolsa me apurrinhava, eu mandava a Petrobrás comprar milhares de ações..." O velho Delfim continua bem vivo.

Rubem Fonseca e licenças de importação

“O senhor sabe como é o Brasil...” “Não sei. Me diga.” “Se o senhor tivesse uma empresa de importação e exportação saberia.” “Eu não tenho.” “Para se importar ou exportar qualquer coisa é preciso uma licença da Cexim. Isso não é fácil de conseguir. Muitas vezes é necessária a colaboração de um amigo influente. O tenente Gregório ajudou Paulo a conseguir uma licença... importante... para a empresa dele, a Cemtex, na qual aliás eu tenho uma participação societária. Para fazer o Brasil crescer os empresários precisam se humilhar pedindo favores.”* A passagem foi extraída do romance “Agosto” de Rubem Fonseca: uma mistura de ficção e realidade que retrata o conturbado ambiente político que precede o suicídio de Getúlio em 1954. Para os que estudaram Economia Brasileira, a Cexim é familiar: o órgão responsável pela concessão de licenças de importação. Ao invés de se usar o velho protecionismo tarifário, o governo utilizava licenças, concedendo-as para os setores que “necessitavam...