Resolvi recentemente, por conta da disciplina de Economia
Internacional que ministro, pesquisar a bibliografia a respeito de tarifas e
proteção na história. Boa parte da discussão de Chang se baseia nos dados de
Bairoch (1989, 1993). Ou seja, Chang traz pouco de algo novo, embora ele tenha
um texto bem escrito. Mas com base nesses dados e em outros, gente muito boa
como o Kevin O’Rourke (Economic Journal, 2000) escreveu sobre tarifas e
crescimento no século XIX, chamando atenção para a relação positiva entre eles e através
de métodos econométricos (e com resultados bem robustos). Douglas Irwin (The World Economy, 2001) discute as tarifas nos EUA do século XIX e argumenta, de forma
convincente, que as tarifas não ajudaram tanto o crescimento norte-americano ao
analisar os mecanismos pelos quais tarifas
poderiam ter influenciado o crescimento. Clemens e Williamson (Journal of Economic Growth, 2004) tem um belo paper levantando hipóteses (algumas das
quais são testadas) para explicar porque a relação entre tarifas e crescimento
mudou após 1950. Uma discussão muito mais rica, na minha opinião, do que a do
Chang.
São raros os momentos que discorro sobre teologia neste blog. Mas eventualmente acontece, até porque preciso fazer jus ao subtítulo dele. É comum, na minha condição declarada de cristão luterano, que eu sempre seja questionado sobre as diferenças da teologia luterana em relação às outras confissões. Outra coisa sempre mencionada é o episódio histórico do massacre dos camponeses no século XVI, sancionado por escritos de Lutero. O segundo assunto merece alguma menção. Para quem não sabe (e eu nem devo esconder isso), Lutero escreveu que os camponeses, que na época estavam fazendo uma revolta bastante conturbada, deveriam ser impedidos de praticarem tais atos contrários à ordem - inclusive por meio de violência. Lutero não mediu palavras ao dizer isso, o que deu a justificativa para a violenta supressão da revolta que ocorreu subsequentemente. O objetivo deste post não é inocentar Lutero do sangue derramado sobre o qual ele, de fato, teve grande responsabilidade. Nem vou negar que Lutero ...
Comentários