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Polarização e crise institucional - 15 meses depois

:::  Escrevi esse texto em 21/10/2014 no Facebook, logo antes do segundo turno, preocupado com a estabilidade institucional. Agora temos um governo e uma economia em frangalhos, elementos do Judiciário claramente ativistas, um ambiente que parece os anos 50-60 - ou seja, uma crise institucional. Se eu fosse mudar o texto, eu talvez revisasse o uso do conceito de "desenvolvimentismo" (já que foi uma distorção tosca e ainda mais deletéria dele) e lamentasse mais a escolha trágica (eu "marinei" no primeiro turno, o que também não era uma grande opção).   Por outro lado, crises mudam coisas: pode ser para o bem ou para o mal. Tenho personalidade pessimista e avessa ao risco, mas oremos. ::: Votei na Dilma em 2010 porque reconhecia no Brasil de até então a melhor experiência de inclusão social e diminuição da desigualdade na América Latina - com manutenção de instituições democráticas e estabilidade macroeconômica durante a gestão Lula. O país melhorou, mas o go...

Será que Zizek considerou seriamente o liberalismo igualitário?

Talvez haja um ponto no recente texto de Slavoj Zizek comentando os ataques a Charlie Hebdo e o fundamentalismo islâmico. Há talvez uma série de questionamentos quanto à sua interpretação psicanalítica acerca do fundamentalismo (devo essa ideia ao Felipe Pimentel) e, certamente, também há aqueles que veem no texto prescrições contrárias ao liberalismo político. De qualquer maneira, talvez exista algum fundamento no seu diagnóstico sobre a insuficiência das democracias liberais em trazer paz e justiça (se considerarmos que elas andam juntas e são desejáveis). De acordo com Zizek (pelo menos em minha interpretação e com o perdão para a incapacidade de meu teclado em acentuar corretamente nomes eslavos), a democracia liberal não consegue resolver os problemas distributivos. Acredito que esse diagnóstico esteja correto no que se refere a condições suficientes. No entanto, acho que a democracia liberal é uma condição necessária, mas não suficiente , para um mundo com menos opressivo (que...

Radicalismos

Radicalismos podem conter uma série de equívocos: a principal delas é a incapacidade de ver que outros podem ter um pouco de razão. E geralmente, embora seja papo de boteco, pessoas radicais em um aspecto da vida (digamos, posição política), costumam ser também ser radicais em outras áreas da vida. A despeito das possíveis explicações genéticas e sociológicas para explicar os radicalismos, com todas as suas ramificações psicológicas, o radicalismo pode conter algo de bom. O seu grande defeito, a incapacidade de perceber as razões que motivam o outro lado, também guarda a virtude: se eles são tão radicais, em algum ponto eles podem estar certos. Na questão política, o radicalismo libertário - apesar de todo seu exagero quanto ao papel da opressão estatal, em boa parte por conta dos absurdos traumas gerados pelas ditaduras totalitárias do século XX, mostra que a liberdade de consciência , por exemplo, é um aspecto fundamental a ser respeitado. O indivíduo não pode ser esquecido...

Mapa interativo

Para quem está precisando de uma fonte compilada de dados que não seja o CIA Factbook ou de novos recursos didáticos, o mapa interativo StatWorld é excelente . É um mapa interativo que junta gráficos, mapas e dados em uma única tela. As possibilidades são inúmeras, além de conter uma fonte de dados públicos (inclusive econômicas) bastante ampla. 

Dasgupta sobre ecologia, desenvolvimento e Índia

Eu nunca li nada do Partha Dasgupta, professor no Departamento de Economia da Universidade de Cambridge. Conta-se por aí que ele e o Amartya Sen não são melhores amigos, assim como também se conta que Dasgupta não tinha grande apreço por fãs incondicionais de Keynes lá em Cambridge. Findada a seção de fofocas, temos esse artigo que meu ex-colega Henrique (que nunca atualizou seu lattes) indicou sobre Índia e desenvolvimento de autoria do Dasgupta.  Parece haver alguma verdade no que ele diz. Os atuais índices de desenvolvimento em geral parecem ignorar a questão ecológica ou dos recursos naturais. Sei pouco a respeito do tema, apesar de ter tido contato com o Prof. Ricardo Abramovay, que sempre escreve sobre o tema . Ou mesmo da preocupação constante do Conselho Mundial de Igrejas com a questão da eco-justiça (englobando ecologia, economia e ecumenismo como ponto de partida). Mas enfim, vale a pena dar uma olhada no artigo de Dasgupta, criticando Sen e Bhagwati .

Volta do blog

Esse blog esteve quieto durante um período bastante conturbado da história recente no Brasil. Protestos, transporte público, vandalismo, corrupção, médicos importados, cura gay e uma série de outros assuntos estiveram e ainda estão pipocando na mídia e nas redes sociais. Minha ausência tem pouco a ver com toda essa movimentação, se bem que era um desafio manter-se razoavelmente informado sobre todos os assuntos, escrever, dar aulas em inglês e estar na fase final de uma metodologia nova para o IDESE. *** Aproveitando o que está ocorrendo com os médicos, deixo aqui o link para duas notícias publicadas no site do Dr. Dráuzio Varella. A primeira é sobre a distribuição de médicos no Brasil . A segunda é sobre o novo programa "Mais Médicos" , anunciados ontem. As matérias, embora no site de um médico, buscam imparcialidade e são informativas. Informação é o que menos temos em uma época em que gritar no Facebook logo se torna uma informação. 

Musical sobre Rawls

Meu amigo Gustavo acaba de me mandar o seguinte link sobre um musical (isso mesmo, um musical) acerca da obra "Uma Teoria de Justiça" de John Rawls.  O blog OpenCulture fez comentários muito positivos acerca desse novo musical, em cartaz em Oxford - mas que logo deve aparecer também nos Estados Unidos.