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terça-feira, 29 de janeiro de 2013

E as distorções do Qualis continuam

Recebi um parecer de uma revista estrangeira da área de Economia, qualificada como B1 pelo Qualis da CAPES. Na sua área específica, ela é considerada uma revista top: no caso, a Journal of Economic History. No entanto, sua nota no Qualis é similar às revistas brasileiras de maior nota. Meu ponto é que as distorções do Qualis da CAPES ainda persistem e talvez tenham sido até acentuadas.

De maneira alguma questiono a qualidade das revistas brasileiras. Acho que as revistas brasileiras hoje qualificadas como B1 são boas revistas, a saber: Revista Brasileira de Economia, Estudos Econômicos, Revista de Economia Política e Revista da ANPEC. Eu mesmo tenho artigos publicados em duas dessas revistas. No entanto, ao receber os pareceres da revista estrangeira que mencionei no parágrafo anterior, percebi o tamanho do abismo que ainda separa as publicações brasileiras das revistas estrangeiras top. Isso não é demérito das revistas brasileiras, é apenas uma questão de concorrência: essas revistas estrangeiras têm muito mais impacto do que as nossas e são procuradas pelos melhores acadêmicos do mundo. A dificuldade de publicar nessas revistas estrangeiras é absurda, os pareceres chegam a ser impressionantes de tão qualificados. O aprendizado que obtive lendo esses pareceres foi enorme, apesar da inegável frustração de receber uma rejeição (embora fosse uma rejeição esperada). Tenho também uma experiência anterior com outra revista estrangeira qualificada como B2. Um patente absurdo a Economic History Review ser apenas B2, onde encontramos artigos clássicos da história econômica internacional.

Não estou aqui pregando que as revistas brasileiras não devem ser B1. Mas se isso acontecer, diversas revistas estrangeiras precisam subir de ranking. Publicar em, por exemplo, Journal of Economic History, Economic Development and Cultural Change, Journal of Latin American Studies, Economic History Review ou World Development é muito mais trabalhoso e pouco recompensado pelo nosso sistema Qualis. 

Emito essa opinião mesmo tendo respeito pela comissão responsável pela definição do Qualis, que contou com gente muito qualificada. Eles devem ter mais argumentos para sua escolha, mas a minha experiência, ainda que pequena, me passa a impressão de que o sistema distorce bastante os incentivos. Não acho que o fortalecimento de revistas nacionais, cujo conteúdo é majoritariamente em português, seja o objetivo que devemos perseguir. A necessidade de dialogar com o resto do mundo acadêmico é imperiosa e, portanto, políticas protecionistas a revistas nacionais não se justificam. Isso não melhora o nível de nossa academia e não se trata aqui de um argumento neoliberal. Quando estivermos academicamente no nível deles, podemos pensar em revistas brasileiras no cenário internacional - mas o caminho ainda é longo até chegarmos lá. 

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Milanovic e a Desigualdade Global

Milanovic produziu um livro interessante sobre desigualdade ao redor do mundo. Em The Haves and the Have-Nots, o economista do Banco Mundial passa por vários tópicos relacionados à desigualdade de maneira amigável e interessante em uma série de pequenos textos.

Alguns dos primeiros textos não são tão interessantes, mas ele logo entra em temas como igualdade nos países socialistas, desigualdade e estabilidade política no Leste Europeu e na China, as ideias de Pareto e Kuznets sobre distribuição, a desigualdade na época de Marx, desigualdade em nível internacional e crises financeiras.

Embora estudiosos como o Bhagwati, seguindo implicitamente uma abordagem contratualista, ridicularizem a abordagem de Milanovic, estou cada vez mais convencido de que os estudos de Milanovic são úteis.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Clipping do Thales

Recebi o seguinte clipping do amigo Thales, geralmente mais atento do que eu sobre o que acontece na internet:

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Teoria e Índices de Desenvolvimento

Comecei a ler agora alguma bibliografia sobre indicadores de desenvolvimento, em particular esses indicadores compostos, tais como o IFDM da FIRJAN e o ISDM da FGV-SP. Ambos os índices, que tentam medir o desenvolvimento em nível municipal, tem problemas. A FEE também tem seu IDESE, que tampouco é isento de críticas. Mesmo o IDH, o mais famoso de todos, não passa incólume.

Para tudo isso, recebi a indicação desse livro, o Handbook on Construction Composite Indicators. O material não é tão novo, mas muito útil para aqueles que têm buscado entender indicadores compostos de todo o tipo, inclusive os de desenvolvimento. Agradeço ao Manoel pela indicação. As sentenças-chave do livro talvez sejam essas duas:

"What is badly defined is likely to be badly measured" (p. 22)
"The process should be ideally based on what is desirable to measure and not on which indicators are available" (p. 22)

Esse é o problema da construção de indicadores: como é possível ser teoricamente consistente com os indicadores disponíveis. Vale a pena ler a crítica do Flávio Comim ao IFDM, embora eu ainda o considere mais claro que o ISDM. 

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Divulgação de concurso

Divulgo e-mail enviado a mim sobre concurso no Departamento de Economia da UFJF:

Caros,

bom dia a todos.
Temos aberta uma vaga aqui no Departamento de Economia da UFJF nas áreas de "Economia Brasileira e História do Pensamento Econômico" (ver edital anexo, concurso n. 118).
As inscrições vão até o dia 29/1/2013 (até 25/1 via Sedex).
Para maiores informações e para acompanhar o andamento do concurso vejam www.concurso.ufjf.br e o edital anexo.
Gostaria de pedir o auxílio de vocês na divulgação do concurso, particularmente ao Renato e ao Prof. Kang que têm canais na "blogosfera". Gostaríamos muito de contar com bons candidatos aqui para o concurso.
Obrigado!

Abraços,
Gustavo Barros