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sexta-feira, 29 de junho de 2012

Persistência e objetividade - para que seu paper seja publicado um dia

Uma vez que se aproxima o World Economic History Congress, tenho trabalhado demais no meu eterno paper, o que deixa pouco tempo para o blog e outras coisas mais. Aqueles que quiserem opinar sobre meu abstract, são bem-vindos. O paper será apresentado na sessão intitulada “Financing the Rise of Popular Schooling in the Developed and Developing Worlds:Comparative and Historical Perspectives”. Muita gente boa na sessão. 

Se você está escrevendo um paper e está com dificuldades, não se preocupe. Eu comecei a escrever esse paper em 2008. Na verdade, a versão de 2008 sofreu modificações até 2010, quando de repente sofreu uma metamorfose. A segunda versão então durou até o mês passado. No entanto, após receber um parecer crítico, fui obrigado a mudá-lo completamente pela segunda vez. Estou na terceira versão e ainda acho que está longe de ser a última. O segredo é não desanimar e aprender bem econometria, além de tornar o paper linear. Ou seja, todo o argumento ao longo do texto deve estar coeso e objetivo com o intuito de responder a pergunta inicial. Acho que meu paper ainda não chegou à sua melhor forma por esses critérios.

Por enquanto o abstract de "Suffrage, Political Voice and Primary Education in Brazil, 1947-1962" é esse:

This article aims to examine the influence of suffrage rates on the rates of primary education enrollment  in Brazil between 1947 and 1962. There was neglect from the federal government in expanding mass primary schooling, leaving this task to state governments. Thus financial centralization has probably hampered the expansion of enrollment rates during the period. As states were responsible for educational matters,the effect of suffrage rates on enrollment rates at the state level were tested.It was found that the suffrage rate was not a significant explanatory variable, under the assumption of the existence of state unobservable characteristics. The evidence indicates that education in Brazil developed within the context of an elite democracy, due to which the expansion of suffrage had little effect on the expansion of education.


Comentários são evidentemente bem-vindos.

A boa notícia dada pelo Tarcísio Botelho (UFMG) é que em breve teremos o livro que ele está organizando. E lá dentro, haverá até um capítulo escrito por mim, mas também por gente mais famosa no ramo como o Leo Monastério. Falando em Léo, ele postou essa bela reportagem sobre um paper do Renato e do Irineu!


sábado, 23 de junho de 2012

Notas sobre a China (2)

A China é um assunto muito mais interessante do que essa discussão entre blogs acerca do paper da PUC-Rio. Prefiro continuar com esse foco, ainda inspirado por minha recente viagem relatada alguns dias atrás.

Interessante nome para um café, não?
Como disse anteriormente, nossa visita foi recebida pelo Conselho Cristão da China (CCC). O Ministério de Assuntos Religiosos do país cuida das cinco religiões reconhecidas por lá: o taoísmo, o budismo, o islamismo, o catolicismo e o protestantismo (os dois últimos não estão sob o "Cristianismo" e, portanto, são tratados como religiões diferentes pelo Estado Chinês).

O representante do governo afirmou que não se permitia a interferência externa em assuntos religiosos na China. Perguntado sobre o papel do Vaticano na nomeação de bispos católicos, o que caracterizaria uma intervenção externa, o vice-ministro foi categórico: quem nomeia os bispos na China não é o Vaticano. A única justificativa foi que muitas mudanças ocorreram após o Vaticano II. Rapidamente, passou-se para outro assunto.

O CCC, que representa os protestantes, nos recebeu muito bem. Tudo era muito organizado. As pessoas que nos acompanhavam eram sempre muito atenciosas. As traduções simultâneas em palestras foram de alta qualidade.  Eles nos mostraram sua escola de teologia, sua fundação diaconal (a Amity Foundation), além da editora - uma fábrica enorme de bíblias e outros materiais. Inclusive, ganhamos uma Bíblia bilíngue inglês-chinês personalizada, que veio direto da esteira de produção. Nossos dois colegas cegos receberam bíblias em braile. Da hospitalidade chinesa, não se pode reclamar mesmo.

Em termos de identidade talvez tenha sido mais complicado. Todos os chineses se dirigiam a mim em mandarim. Ficavam estupefatos quando percebiam que eu não podia falar chinês. A coisa piorava quando eu afirmava ser brasileiro (imaginem aquela típica expressão oriental de surpresa).

Certamente, conhecer a China foi uma experiência marcante. Fico curioso para saber como o país reagirá às contradições trazidas pela ocidentalização e pela integração aos mercados mundiais de maneira cada vez mais forte. Será que Acemoglu e Robinson, que não acreditam que a China superará o Ocidente enquanto for autoritária, estarão certos?






Pequena nota sobre a polêmica

O Drunkeynesian já resumiu tudo o que foi dito sobre a questão. Acompanhei tudo e tinha decidido não me manifestar. No entanto, só para dar um único pitaco: é evidente que os dois perderam a razão ao baixar o nível da conversa. A diferença é que este é o trabalho do RA e, nesse ringue, eu prefero não enfrentá-lo. Evidentemente, é lamentável o RA ter começado a discussão dessa maneira, mas não esperaríamos nada diferente, certo? 


quarta-feira, 20 de junho de 2012

Notas sobre a China

Eu não sabia, talvez ingenuamente, mas o blogger.com/blogspot é proibido na China. Pior, o Facebook e o Twitter também. Aparentemente há maneiras de acessá-los, como o Gabriel - que também estava na China - descobriu e conseguiu ainda postar algumas coisas em um blog do UOL. No entanto, esse não foi o meu caso durante a visita ao país do dia 9 ao dia 16 de junho. 

A foto não é minha, mas depois posto as minhas. Shanghai
Participei da 51a reunião da Comissão das Igrejas em Assuntos Internacionais (Commission of the Churches on International Affairs - CCIA) do Conselho Mundial de Igrejas (CMI/WCC), em Shanghai e Nanjing. Fomos recebidos pelo Conselho Cristão da China, órgão autorizado pelo governo que representa os protestantes na China. Felizmente, a maioria dos membros da Comissão conseguiu obter o visto para entrar na China, mas não todos: o moderador da nossa Comissão não conseguiu, fato que foi noticiado pelo Washington Post.

A primeira impressão que preciso compartilhar com os leitores se refere aos aparentes excessos de Shanghai e Nanjing em termos de construções. Os prédios são gigantes, os carros são em geral carros caros, a poluição é excessiva, poucas bicicletas e muitas motocicletas, gente demais em todo o lugar, pontes e viadutos gigantes - passei até por um túnel que tinha mais de 3km de extensão. Ademais, a ocidentalização é evidente entre os chineses que mais se beneficiaram do crescimento: vimos muitas chinesas de saias curtas indo para a balada na noite de sábado ao passearmos pelo Bund de Shanghai.

Em nossas reuniões, tivemos uma palestra com um economista de uma universidade chinesa. Ele afirmou, entre outras coisas, que o coeficiente de Gini (para desigualdade de renda) na China era algo entre 0,3 e 0,4. Imediatamente, acessei o site da CIA, cujo Factbook afirma que o Gini chinês é 0,48. Se todas as teorias de conspiração são válidas, eu estimo, sem qualquer base científica, que o Gini da China seja algo próximo a 0,43. A impressão, de qualquer maneira, embora não tenhamos visitado a zona rural, é que a desigualdade deve estar crescendo.

Os discursos, tanto de líderes da igreja, como também do Vice-Ministro de Assuntos Religiosos, que também falou conosco, sempre se referiram a busca por uma "sociedade harmoniosa" - e que a religião teria seu papel nisso. Uma ideia fácil de se tomar como verdadeira em uma sociedade com fortes influências confucionistas - e que mitiga os conflitos sociais, sejam oriundas de diferenças étnicas ou da crescente desigualdade. 

Em breve, escreverei mais sobre o tema.

terça-feira, 5 de junho de 2012

ANPEC-Sul e Encontro de Economia Gaúcha

O Encontro de Economia da Região Sul, conhecido também como ANPEC-Sul, ocorreu na quinta e na sexta lá no campus da PUCRS. Paralelamente, ocorreu também o Encontro de Economia Gaúcha. Assisti sessões de ambos os eventos, além de apresentar nosso paper de aplicação de controle sintético para o caso cubano. Os questionamentos foram interessantes, repetindo alguns já feitos em outras oportunidades, mas que reforçaram a necessidade de trabalhar melhor o paper.

Minha avaliação é que os eventos apresentaram trabalhos de qualidade bastante heterogênea: havia alguns trabalhos interessantes, mas outros eram de fato trabalhos muito iniciais. Infelizmente, alguns trabalhos eram superficiais não tanto por conta de seus autores, mas em boa parte pelo que sabemos de ensino de economia em geral no Brasil e, em especial, no RS.

Espero estar no sábado na China. Em parte, esse blog não se manifestou na sexta passada devido aos inúmeros afazeres pré-viagem, inclusive dar as aulas que não serão ministradas na semana em que estarei na China. Vou na quinta-feira, dia 7, e volto no domingo, dia 16. Provavelmente, programarei um post para sexta, enquanto estarei em algum lugar entre Amsterdam e Shanghai.