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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Como escrever um paper?

Acho que gastar meia hora de sua vida lendo esse paper do Cochrane sobre como escrever papers é de fundamental importância. Muitas vezes não temos um paper aprovado em alguma revista justamente porque não obedecemos essas regras - que são pré-requisito para ter possibilidade de publicação internacional. Não basta apenas saber bem a teoria ou ter feito uma boa análise empírica; é preciso saber colocar isso no papel. Essa é uma lição que serve para mim mesmo também, que já tive um ou outro paper rejeitado em parte por essas razões.  A dica do paper é antiga e do Irineu de Carvalho Filho (via e-mail, não via blog). 

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Vídeo do II ENBECO

Aproveito para iniciar a semana com o vídeo de divulgação do II Encontro Nacional de Blogueiros de Economia. Espero ver alguns dos leitores por lá.


sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Tarifas e crescimento no século XIX


O livro “Chutando a Escada” de Ha-Joon Chang (2002) ganhou grande destaque há alguns anos, pelo menos nos círculos acadêmicos brasileiros. Lembro-me de ter lido o livro e ficado um pouco decepcionado. Era sabido que os EUA e a própria Inglaterra tinham aplicado políticas protecionistas durante suas respectivas Revoluções Industriais. Mas em nenhum momento, pelo menos na minha avaliação, Chang mostra os mecanismos pelos quais essas políticas teriam surtido efeito. 

Resolvi recentemente, por conta da disciplina de Economia Internacional que ministro, pesquisar a bibliografia a respeito de tarifas e proteção na história. Boa parte da discussão de Chang se baseia nos dados de Bairoch (1989, 1993). Ou seja, Chang traz pouco de algo novo, embora ele tenha um texto bem escrito. Mas com base nesses dados e em outros, gente muito boa como o Kevin O’Rourke (Economic Journal, 2000) escreveu sobre tarifas e crescimento no século XIX, chamando atenção para a relação positiva entre eles e através de métodos econométricos (e com resultados bem robustos). Douglas Irwin (The World Economy, 2001) discute as tarifas nos EUA do século XIX e argumenta, de forma convincente, que as tarifas não ajudaram tanto o crescimento norte-americano ao analisar os mecanismos pelos quais tarifas poderiam ter influenciado o crescimento. Clemens e Williamson (Journal of Economic Growth, 2004) tem um belo paper levantando hipóteses (algumas das quais são testadas) para explicar porque a relação entre tarifas e crescimento mudou após 1950. Uma discussão muito mais rica, na minha opinião, do que a do Chang.

Não entendam aqui que sou contra a conclusão de Chang. Até acredito que, com mercados imperfeitos, a proteção pode ajudar certos setores a baixarem suas curvas de custos no longo prazo e impedir doenças holandesas. Sabemos dos exemplos de Japão e China no setor automobilístico (que parece ter dado certo) – assim como também do Brasil no setor de computadores (em que a proteção não deu certo),  embora ainda não haja avaliações definitivas a respeito de tudo isso. Estou agora lendo o "Trade and Poverty" do Jeff Williamson e ali ele esclarece a relação entre comércio, crescimento e pobreza. Meu problema com Chang é a falta de evidências contundentes no “Chutando a Escada” em particular. Pelo menos, amigos meus afirmam que o “Rethinking Development Economics” do Chang é um livro mais interessante.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

New Economics Papers

Alguns ainda não conhecem: o RePEc tem um serviço de anúncio de novos papers em diversas áreas da Economia, o NEP (New Economics Papers). Todos que querem se atualizar em determinada área de pesquisa dentro da Economia, podem acessar e assinar as mailing lists. Ok, até aí alguns já conheciam. Mas agora, algumas áreas como História Econômica, Macroeconomia Aberta, Comércio Internacional e Desemprego, Pobreza e Desigualdade tem seus próprios blogs, com anúncios de novos papers. Recomendo.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Comentário sobre salário dos professores

Dias atrás postei acerca da significância da variável salário de professores. Como disse o Ricardo Martini, a variabilidade nos salários pode ser muito baixa nas escolas públicas. Não tenho certeza, mas a ideia do Ricardo é possível - se pensarmos que a mesma variável é significativa quando se trata da escolas particulares - o Náercio Menezes-Filho faz um bom resumo da literatura nesse livro coordenado pelo Delfim Netto. Esse livro foi um dos presentes que recebemos na I Escola de Verão lá da FEA-USP.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Gastos em educação por estudante

Escrevi recentemente na Carta de Conjuntura da FEE sobre os gastos em educação por estudante no Brasil. Como o espaço na Carta era pequeno, vale a pena colocar algumas referências aqui sobre esses gastos e, principalmente, compará-los com as despesas em educação de outros países.

Como indiquei na Carta, de acordo com dados do MEC-INEP, para cada real que gastamos no Brasil com o estudante da educação básica, gastamos cerca de R$ 5,20 com o estudante do ensino superior em 2009. Um indicador levemente diferente, a razão gastos com estudante do ensino superior (tertiary education) sobre gastos com estudantes do primário (primary education), atinge o valor de 5,88 para o ano de 2007 no Brasil. Se observarmos o que acontece lá fora, essa razão é, em geral, muito menor:

País
Estados Unidos
Suécia
Coreia do Sul
México

É natural que, devido às despesas com laboratórios e pesquisa, por exemplo, os gastos com o ensino superior sejam maiores do que os do ensino primário. No entanto, como é notório, há uma desproporção relativa nos valores apresentados pelo Brasil. Temos duas interpretações possíveis: ou os gastos no ensino superior são altos, ou os gastos no ensino primário é que são baixos. Pelos valores apresentados na tabela da OCDE, parece que nosso problema é a segunda opção: gastamos muito pouco no ensino primário. Não que gastos reflitam necessariamente em qualidade ou eficiência, mas refletem quais são as prioridades dos nossos governos nessa área. Felizmente, a situação tem melhorado: em 2000, a razão gasto por estudante da educação superior sobre gasto por estudante da educação básica chegava a 11,1 no Brasil.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Escola de Verão - parte II

A Escola de Verão em Economia do Desenvolvimento da FEA-USP foi um sucesso. É claro que nem todos os minicursos agradaram a todos, uma vez que professores de diferentes perspectivas teóricas depararam-se com estudantes bastante heterogêneos em termos de formação. Mas as opiniões que ouvi foram em geral positivas, incluindo as palestras de Delfim Netto e Ricardo Abramovay (a foto abaixo é dessa última palestra).

Em particular, conhecer alguns assuntos foi particularmente útil para mim. No curso de pobreza e crédito, ministrado pelo Prof. Ricardo Madeira, fomos apresentados a uma forma simplificada do modelo de Stiglitz e Weiss (1981) - um dos modelos clássicos de Stiglitz no assunto informação imperfeita. É em parte baseado nesse modelo que se desenvolvou uma importante literatura teórica sobre imperfeições no mercado de crédito. Um bom resumo em português das contribuições de Stiglitz à literatura sobre mercados financeiros encontra-se aqui. 

Também foi interessante o curso do Prof. Mauro Rodrigues acerca de comércio e crescimento. Depois de apresentar o modelo básico de Solow e o modelo Heckscher-Ohlin na sua versão estática (a mais conhecida), o prof. Mauro falou dos modelos Heckscher-Ohlin dinâmicos que associam comércio a crescimento. Recomendo fortemente a leitura do paper do próprio Mauro sobre a industrialização via substituição de importações na Journal of Monetary Economics. Embora não seja uma explicação histórica, o modelo é uma tentativa de explicar os problemas causados pelo ISI. Para aqueles que conhecem pouco o modelo Heckscher-Ohlin e costumam tirar conclusões normativas demasiadas, é preciso conhecer o modelo melhor e entender a pesquisa atual. Para iniciantes, recomendo o livro do Feenstra e Taylor de Economia Internacional ou o livro do Helpman sobre comércio internacional

A Profa. Fabiana Rocha apresentou também o que há na fronteira da literatura de eficiência do gasto público. A maior conclusão é que há ainda muitas dificuldades e muito a ser feito. A Economia da Educação já está mais consolidada, mas Economia da Saúde e outros tópicos relacionados a eficiência estatal ainda merecem maior atenção. Um bom paper que ela apresentou foi o Barankay e Lockwood (2006), entre outros, que você pode encontrar aqui. 


sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

II ENBECO

Assim que puder, conto mais sobre a Escola de Verão em Desenvolvimento da USP, mas aproveito então essa sexta para divulgar o II Encontro Nacional de Blogueiros em Economia. Sim, eu sei que vários blogs estão fazendo isso. Estarei em uma das mesas. Aguardo aqueles que estiverem por Belo Horizonte, deem uma passada por lá!

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Escola de Verão - parte I

Tivemos ontem e hoje os dois primeiros dias da Escola de Verão em Economia do Desenvolvimento na FEA/USP. Essa iniciativa, coordenada pelos professores Renato Colistete e Gilberto Tadeu Lima, contou com a palestra inicial do Prof. Delfim Netto. Cerca de 290 alunos estavam inscritos, segundo informações do pé do ouvido. Estive em três cursos por enquanto: Eficiência do Gasto Público, Comércio Internacional e Microeconometria - todas aplicadas a desenvolvimento econômico. Até agora, estou bastante satisfeito. Outros alunos estiveram cursando outros minicursos e a relação deles, assim como a bibliografia, podem ser aqui obtidos

As pessoas que participam de cursos são ou foram de muitos cursos de pós-graduação em Economia ou áreas relacionadas, incluindo gente do Uruguai e da Argentina. Foi muito bom reencontrar ex-colegas do IPE/USP e outras pessoas conhecidas, além da cerveja com o renomado historiador econômico Luís Bértola (que ainda não sei por que razão lá estava) e os demais uruguaios hoje. Aqui também estão colegas da FEE - e acredito que alguns dos cursos poderão ser úteis para futuros trabalhos na Fundação.






sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Economia para mortais

Um de meus ex-alunos, o Pedro Lenhard, trabalha na Perestroiska - uma "escola de atividades criativas", segundo seu próprio site. Eles lançaram um curso muito interessante aqui em Porto Alegre chamado "Economia para mortais", cuja descrição aqui se encontra. Contando com professores como Patrícia Palermo e Marcelo Portugal, não tem como o curso não ser bom. Recomendo a todos os não-economistas que, no entanto, tem curiosidade acerca da "dismal science" e a crise econômica que recentemente tem assolado o mundo.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Analfabetismo e Voto

Para os que tem acesso ao Valor, recomendo hoje a coluna de autoria do cientista político Jairo Nicolau, intitulada "Analfabetismo e voto no Brasil". Nicolau também cita os trabalhos de Peter Lindert, que foram fundamentais para a minha dissertação, uma vez que discutem a relação entre democracia e educação na história econômica. Fiz uma resenha do principal trabalho de Lindert sobre o tema na edição n. 3 da Estudos Econômicos do ano passado.