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quinta-feira, 24 de novembro de 2011

PIB zero

Um dos diretores da ESPM-Sul me chamou atenção para a manchete do Jornal do Comércio, um periódico econômico local. A manchete dizia o seguinte: "País pode ter PIB zero no terceiro trimestre". PIB zero deve ser o Armageddon, o fim do mundo maia antecipado ou coisa parecida. Comecei a pregar o arrependimento no pátio da ESPM. Felizmente, meus queridos alunos de Macroeconomia da RI reclamaram no site e assim respondeu o JC:


Ganhei meu dia.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

FEE

Este blog esteve parado porque, na semana passatda, assumi cargo de pesquisador na Fundação de Economia e Estatística. A FEE é um órgão ligado à Secretaria de Planejamento do RS que cuida de pesquisas econômicas e é responsável por estudos e divulgação de dados estatísticos do estado. Fui alocado para o Núcleo de Políticas Públicas e trabalharei com pobreza. Não se surpreendam se esse blog começar a falar mais de pobreza.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Prêmio BNDES!

Desejo meus parabéns ao Gervásio Ferreira dos Santos, primeiro colocado do Prêmio BNDES de Economia desse ano para a categoria doutorado. Não convivemos muito, mas conheci o Gervásio na FEA-USP.

Mas eu não poderia deixar de dar meus parabéns ao Raphael Rocha Gouvêa, segundo colocado na categoria mestrado do mesmo prêmio. Raphael foi meu colega de mestrado na FEA-USP, na última turma de Economia das Instituições e Desenvolvimento. Foi um amigo importante naqueles anos de muito estudo e pouco dinheiro em São Paulo - e continua sendo. Sei da competência do Raphael, que sempre soube dividir seus conhecimentos com os colegas e que se destacava no grupo naturalmente, sem artificialismos ou convencimentos. Sua modéstia, companheirismo e inteligência são difíceis de se achar juntos. Mais do que merecido esse prêmio. Agora ele é um homem casado e pesquisador no IPEA - desejo-lhe um grande futuro nesses novos caminhos.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Aumento do IPI para automóveis importados - parte 2

No post anterior sobre o tema, um leitor contestou o fato de eu ter utilizado a hipótese de concorrência perfeita na análise dos excedentes. Acredito que os pressupostos utilitaristas da economia do bem-estar são muito mais questionáveis do que a hipótese de concorrência perfeita. Sob concorrência monopolística ou com economias de escala, os resultados não mudam muito. Em qualquer situação, há perda do excedente do consumidor, embora possa haver ganhos líquidos para o país na forma de uma política beggar-thy-neighbour.   
De qualquer maneira, isso por si só não significa que a proteção deva ser descartada de antemão. Como dissemos anteriormente, há o argumento da indústria nascente, cuja origem já discutimos no post passado. Dentro do arcabouço teórico do mainstream, o argumento é válido se assumirmos que há imperfeições de mercado. Em primeiro lugar, é preciso que a tarifa protecionista impeça a firma de ir à falência devido à concorrência internacional. Com o processo de learning-by-doing durante esse período em que o setor é protegido (lembrando que Arrow foi um dos economistas que chamaram atenção para o learning-by-doing), a empresa pode se tornar mais eficiente tecnicamente a ponto de poder deslocar para baixo sua curva de custo médio no longo prazo. Pensemos no Leste Asiático, onde várias empresas aprenderam protegidas e fazendo "engenharia reversa". 

Mas isso por si só não é suficiente para dizer que a proteção é válida no caso de indústria nascente. Em primeiro lugar, é preciso perguntar porque o setor privado não é capaz de fornecer empréstimos a essas indústrias enquanto elas ainda produzem a custos altos se elas têm capacidade para se tornar eficientes mais tarde. Se temos imperfeições no mercado de crédito (e muitas vezes há), temos uma possível justificativa para a atuação do governo. Mas além disso, é difícil sabermos quais setores merecem proteção, como sempre costumam dizer aqueles que destacam o papel das falhas de governo - que seriam tão ou mais maléficas que as falhas de mercado. Por outro lado, a existência de externalidades positivas, tais como transbordamentos (spillovers) para outras firmas e setores durante a proteção também deve ser levada em conta. De qualquer forma, todos esses beneficios precisam ser maiores que as perdas que a proteção gera para os consumidores no curto prazo.

Os estudos empíricos sobre proteção mostram que houve casos bem-sucedidos e mal-sucedidos. Enquanto na China parece que a proteção tem dado certo, o caso da proteção à indústria brasileira de computadores é mundialmente conhecido por sua ineficácia. Mas quem sabe deixamos a China, que é um caso interessante, para o próximo post.