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terça-feira, 29 de junho de 2010

13º BIEN

Para quem não sabe, começa amanhã o 13º BIEN Congress: Basic Income as an Instrument for Justice and Peace. O evento ocorrerá na FEA-USP e conta com vários convidados conhecidos do governo e da academia. É notável a quantidade de políticos que estará presente, incluindo o maior defensor da renda básica no Brasil, Eduardo Suplicy. Mas também estará lá o nome mais conhecido na academia sobre o assunto: o belga Philippe Van Parijs.

Li Van Parijs quando fiz uma disciplina sobre Justiça Distributiva no Departamento de Ciência Política da FFLCH/USP com o professor Álvaro de Vita. Confesso que na época não me entusiasmou muito, mas o texto também não era dos mais fáceis. De qualquer forma, Van Parijs está nesse debate com Rawls, Sen, Nozick e Dworkin (só para citar alguns dos nomes mais conhecidos na justiça distributiva contemporânea). Foi dessa disciplina que saiu meu artigo sobre Sen, que apresentei no Uruguai e está para ser publicado em breve.

O Leo Monastério recentemente mostrou uma citação interessante do Hayek em "O Caminho da Servidão". Um dos comentários, do Prof. Duilio Bêrni, chamou atenção para o fato de que a ideia de renda básica tem raízes, pelo menos em parte, em Hayek e Friedman (imposto de renda negativo). A quantidade de gente de esquerda no 13º BIEN é de surpreender se pensarmos dessa forma.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Encontro da ANPEC e da SBE

Estão abertas as inscrições para o Encontro da ANPEC e para o Encontro da SBE (Sociedade Brasileira de Econometria), que serão realizados paralelamente em Dezembro na cidade de Salvador. Papers podem ser enviados até 20 de julho!

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Escolha Social é possível?

Em geral, estudamos pouco tópicos como Escolha Social (Social Choice Theory) ou Economia do Bem-Estar (welfare economics). Esses assuntos costumam aparecer en passant por disciplinas de microeconomia na graduação, mas dificilmente há maior aprofundamento das questões. Quando se fala no Teorema da Impossibilidade de Arrow, a ideia que é passada pelos manuais é de que a escolha social é impossível. Não se fala no que esse primeiro resultado gerou de pesquisas subsequentes na tentativa de mudar as hipóteses e conseguir soluções melhores - embora geralmente apareçam novos teoremas de impossibilidade.

No último estudo de nosso grupo de estudo em Escolha Social, utilizamos um artigo de Amartya Sen chamado "The Possibility of Social Choice", que é a palestra de Sen por ocasião de seu Prêmio Nobel. Como bem explicou a colega Daniela, muitas vezes pensamos em Escolha Social e pensamos apenas em esquemas de voto e teorema de Arrow, mas não entendemos que isso está por detrás de todas as ideias de funções de bem-estar social. O utilitarismo ou as ideias de Rawls (aliás, tirem da cabeça que aquela função maxmin dos livros de microeconomia é realmente Rawlsiano) são formas de se fazer escolha social, embora não sejam usados esquemas de votos. E Sen, embora defenda a pluralidade da base informacional, destaca a utilização das capacitações.

Antes de achar que não existe possibilidade de agregação para se fazer uma escolha social simplesmente devido ao resultado inaugural da moderna teoria de escolha social, talvez devêssemos estudar melhor a área. Mas se você quiser se aventurar nisso, terá que estudar um pouco de análise - coisa para a qual eu acredito não ter facilidade, mas a gente vai tentando.

sábado, 12 de junho de 2010

Pensamentos esparsos sobre globalização

A globalização, fenômeno tão falado (mal ou bem), torna-se bastante evidente no atual evento mais importante do esporte, a Copa do Mundo (tenho minhas dúvidas se a Copa do Mundo não é mais importante do que as Olimpíadas). Qual não foi a minha surpresa ao ver patrocínios de multinacionais conhecidas como Coca-Cola e Adidas nos estádios, mas como também de propagandas da Seara (que fabrica salsichas no Brasil) e da Quilmes (uma cerveja argentina). Além disso, sei que a Brahma, uma cerveja nacional, embora controlada pela multinacional AmBev, é uma das patrocinadoras.

O futebol é um palco para a globalização há muito tempo. Após o jogo entre Argentina e Nigéria hoje, vi um especial sobre a Copa de 1958 com alguns amigos. Nos estádios suecos já havia propagandas nas laterais de companhias como Philips e Telefunken (lembram?), enquanto Pelé dava aquele chapéu no zagueiro sueco em imagens preto e branco.

Estou mais sensível a esse tipo de coisa por estar estudando o tema. Além de estudar os efeitos da globalização ao longo da história através dos trabalhos de Jeff Williamson, Peter Lindert, Alan Taylor e Kevin O'Rourke, estou lendo papers específicos sobre globalização financeira de acadêmicos como Mishkin e Rodrik. Quem se interessa por esta parte financeira, procure o IMF Staff Papers, Vol. 56, No. 1 (2009): é um especial sobre globalização financeira. Não vou puxar o link porque nem todos têm acesso, mas se você tem acesso ao Periódicos Capes (agora novo e reformulado!), vai ser fácil achar.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Texto sobre globalização e desigualdade

Estava hoje lendo um artigo de Peter Lindert e Jeffrey Williamson sobre globalização e desigualdade em perspectiva histórica. Um excelente survey da literatura sobre o tema. Importante para mim, que estou tentando escrever um texto relacionando ética cristã e globalização (para horror de alguns amigos meus, mas vamos ver o que sai disso) que me foi pedido. Ele faz parte desse livro organizado por Bordo, Alan Taylor e Jeff Williamson. Recomendo fortemente a leitura.

Ainda recomendo a irem atrás da referência existente do texto de Hadass e Williamson (2001), que é uma avalição da tese Prebisch-Singer de deterioração dos termos de intercâmbio. Em vez de acreditar ou não na tese, vamos olhar para os trabalhos empíricos.

sábado, 5 de junho de 2010

Lições de econometria no site do NBER

Meu ex-colega Raphael Gouvêa me deu uma dica. Para aqueles interessados nas novidades da econometria, assistam as palestras de Stock e Watson (2008) e Imbens e Wooldridge (2007). Mas é claro, aqueles que ainda não leram o livro de econometria introdutória do Wooldridge pelo menos deveriam tentar fazê-lo antes de tentar entender essas aulas.

Se você aspira ser historiador econômico, não seja preconceituoso. É importante saber econometria nem que seja para poder criticar quando ela é usada indevidamente (o que ocorre bastante), assim como também para aproveitar trabalhos que fazem excelente uso dela.