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Mostrando postagens de Maio, 2010

E os salários dos professores?

O debate sobre a avaliação de professores do nivel básico tem tomado conta dos noticiários nos últimos dias. A última Zero Hora (jornal de grande circulação em Porto Alegre) mostrou sistemas como o finlandês e o norte-americano. O primeiro se baseia em altos salários aos professores, de quem são exigidos boa titulação, enquanto o segundo parece focar em sujeitar professores a avaliações.
Ainda que eu ache avaliações interessantes, acredito que no caso do Brasil, os salários absurdamente baixos dos professores do ensino básico prejudica a atração dos melhores para essa fundamental função. Os mais qualificados têm poucos incentivos para tentar a carreira docente, mesmo quando se sentem vocacionados para tal. Enquanto isso, milhares de funcionários públicos do Juudiciário que nada mais fazem do que arquivar papeis muitas vezes, recebem muitas vezes mais. A distorção de incentivos é evidente.
Nada contra quem está no Poder Judiciário fazendo trabalhos burocráticos e ganhando 3 mil ou 4 mil…

Segundo artigo no BIF

Já está no ar o meu segundo artigo da série sobre atraso educacional no Boletim de Informações FIPE. Esse segundo artigo está baseado no meu capítulo 4, que agora é também um working paper chamado "Descentralização, Financiamento e Equidade na Educação Brasileira, 1930-1964". Ainda estou tentando diminui-lo (o paper tem 30 páginas sem espaçamento). Vamos ver se ele tem futuro.
Ainda sugiro que vocês confiram o artigo do meu colega Ricardo Sabbadini sobre inflação e desigualdade no mesmo boletim. Aliás, esses boletins costumam ter bons artigos: procurem pelo meu colega Raphael Gouvêa também por exemplo.

Sob a lupa

A quantidade de posts diminuiu, mas por um bom motivo. Estou dando aula nas faculdades SENAC para cursos tecnológicos. Tratam-se de cadeiras básicas de economia, semelhantes aos cursos de introdução à economia. A Daniela Tocchetto, que estava dando aulas lá e teve que sair por ter ganhado uma bolsa, utilizava textos do livro do Dudu e do Mauro, professores de macro lá da USP. Eu tinha sabido do livro - chamado "Sob a lupa do economista" - mas não o tinha lido. E, de fato, é um bom livro. A despeito de serem bons professores, nem por isso esperava que fosse uma leitura tão tranquila. Crônicas simples usando teoria econômica. Eu recomendo para quem dá aulas de introdução à economia. Ou pra quem quer ler textos curtos e digeríveis sobre economia aplicada ao cotidiano (sem ser Freakonomics).

Veja o blog do livro.

Educação importava antes do século XX?

A miopia dos governantes brasileiros em relação à educação talvez tenha ocorrido justamente porque eles não viam a necessidade dos trabalhadores se educarem para que a industrialização ocorresse. Numa fase inicial da industrialização, é possível pensar nesses termos, uma vez que, como dizia Joel Mokyr, o nível de capital humano não era um fator importante para o crescimento na época da Revolução Industrial. No século XX é que ele teria se tornado importante (lembremos que o Brasil estava apenas começando a se industrializar no século XX).
Mas esse paper escrito por alemães parece querer dizer que educação importava na época da Revolução Industrial. Dêem uma olhada. Agradeço ao Ricardo Leal, ex-colega de USP, pela dica.

Dissertação disponibilizada (auto-promoção novamente)

Àqueles interessados na minha dissertação de mestrado, aí vai o link dela no site de catalogação de teses da USP: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/12/12140/tde-01052010-141552/
A dissertação se chama "Instituições, Voz Política e Atraso Educacional no Brasil, 1930-1964". Comentários, críticas e sugestões são bem-vindas, desde que feitas em tom amistoso. Virulentos ataques e chiliques serão ignorados.

Workshop em capital humano e história econômica

Devo apresentar um paper em um workshop sobre capital humano na história econômica a ser realizado em Tübingen e organizado pelo Prof. Jörg Baten. Já estão no site os papers selecionados. Recebi recentemente um e-mail sobre as acomodações, um passeio pela cidade, os eventos em um castelo, etc... O grande problema: há alguns meses, disseram-me que não havia fundos para me trazer do Brasil, mas que eu poderia apresentar via Skype. Quem sabe eles não mudam de ideia? Acho que não...