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quarta-feira, 31 de março de 2010

Mestre Kang

Soa arrogante, mas o título é engraçado, embora verdadeiro. A diferença é que os leitores talvez pensem no Mestre Yoda ao invés de pensarem em três anos de lutas contra o tempo e o desespero, muitos teoremas demonstrados (e esquecidos), muitas regressões rodadas e mal-sucedidas ou muita poeira procurando censos e documentos em bibliotecas.

Com uma banca composta pelos professores Dante Aldrighi e William Summerhill (via videoconferência), além é claro de meu orientador, Prof. Renato Colistete, fui aprovado a obter o título de Mestre em Economia pela Universidade de São Paulo. A dissertação se intitula "Instituições, Voz Política e Atraso Educacional no Brasil, 1930-1964". A videoconferência funcionou perfeitamente (e a qualidade surpreendeu-me positivamente) e todos os comentários foram bem interessantes e construtivos. Agradeço o empenho de todos, particularmente de meu orientador, mas também de todos os colegas e amigos que ajudaram ao longo dos anos. Além é claro da família Kang (pai, mãe e irmã) e do cunhado Maurício.

Agradeço a presença daqueles que compareceram a defesa e daqueles que se juntaram a mim ontem para aproveitas os chopes Brahma em dobro no bar São Cristovão da Vila Madalena. Posteriormente, a Luther Bier e o Havana Club (rum) serão abertos aqui em Porto Alegre em momento oportuno com alguns amigos que apoiaram esta fase final de mestrado.
Lembranças também ao pessoal que possibilitou a videoconferência: Ana Cristina na USP e Mr. Roby na UCLA.

Detalhes sobre a defesa, com os comentários dos professores, serão oportunamente postados.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Dawkins está certo?

Richard Dawkins, famoso biólogo evolucionista britânico, tem causado polêmica no meio religioso. Em meados do ano passado, Dawkins, autor dos livros O Gene Egoísta e Deus, Um Delírio, provocou diversas reações ao inventar um acampamento ateu para crianças - similar ao realizado por instituições religiosas.

Se alguém quiser ler algo na direção oposta aos argumentos apresentados por Dawkins, é bom começar por Alister McGrath, professor de teologia (ordenado pela Igreja da Inglaterra, pertencente à Comunhão Anglicana) e doutor em biofísica molecular por Oxford. Seu livro de resposta, chamado de "O Delírio de Dawkins", tem se tornado referência.

Admito, não li qualquer um deles, mas tenho tentado me informar a respeito. Não que debates apologéticos resolvam definitivamente algum assunto, mas podem ser de ajuda.
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quinta-feira, 25 de março de 2010

Dois cursos sobre Racionalidade Limitada

Notícia em primeira mão: Daniel Monte, da Simon Fraser University no Canadá e Ph.D. por Yale, ministrará curso nos dias 5, 7 e 12 de abril sobre racionalidade limitada na FEA-USP. Em breve, devem aparecer os anúncios no site do Departamento de Economia da FEA. Há hoje em dia diversos modelos com agentes sem racionalidade completa.

Segunda notícia, já meio velha: tem summer school sobre o racionalidade limitada em Berlin no meio do ano. Com Ariel Rubinstein e Vernon Smith, vencedor do Prêmio Nobel. É mais para pós-doutorandos, mas dêem uma olhada aqui.

Não sabem o que é racionalidade limitada? Já ouviram falar em Herbert Simon?

terça-feira, 23 de março de 2010

Auto-interesse e individualismo metodológico

Quem tiver acesso ao jornal Valor, conferir na edição de hoje a coluna de Ricardo Abramovay sobre o livro "The Idea of Justice" de Amartya Sen.

Temos discutido até que ponto reconhecer motivações além do auto-interesse (por exemplo, simpatia ou compromisso - as clássicas categorias do artigo de 1977 de Sen, "Rational Fools" da Philosophy and Public Affairs) realmente significam afastamento de individualismo metodológico, como o próprio autor parece defender em seu livro.

Lembro que um defensor do individualismo metodológico, Max Weber, costumava colocar entre as motivações da ação humana não apenas a categoria zweckrational (racionalidade instrumental), como também a categoria wertrational (racional de valor). Compromissos éticos poderiam entrar nessa categoria.

No final das contas, qual a relação entre auto-interesse e individualismo metodológico? Eu acreditava que eram coisas distintas. Agora estou na dúvida.

domingo, 21 de março de 2010

História Econômica da Europa


Alguns devem estar reclamando de meu silêncio (outros agradecendo talvez, hehe).


Mas para voltar, anuncio mais um livro novo de história econômica. Agora é o Economic History of Europe do sueco Karl Gunnar Persson da Universidade de Copenhagen, Dinamarca. Mais uma vez, agradeço a Svante Prado pelo aviso.




segunda-feira, 1 de março de 2010

Pérolas de Econometria

Alguns semestres depois, preservando a identidade dos alunos de Econometria I da graduação da FEA-USP, o ex-monitor pode revelar algumas das preciosidades encontradas em provas. Lembrando que estamos falando de um dos melhores cursos de Economia do país...

Os erros gramaticais e ortográficos foram mantidos.

Sobre a Econometria:

  • "É uma ciência que beira a arte em que os grandes econometristas se destacam exatamente por esse importantíssimo toque de subjetividade"

  • "Se a análise de uma regressão for irrelevante, portanto o estudo da econometria será irrelevante, o que é obviamente um absurdo, se fosse assim não precisaríamos aprendê-la".

  • "Esperamos que a variância da amostra seja a menor possível, pois quanto menor mais eficiente (mais se assemelha à realidade)". [hein?]

  • "Podemos também testar se certos parâmetros são idênticos a outra ou nulos e se certos palpites como o do gerente da cadeia de hambúrgueres gasta com propaganda e preço são válidas" [ok, só não entendi o pq disso na prova].

  • "A afirmativa não está inteiramente certa [...]. A análise de regressão não diz nada sobre a população" [então tá, né, por que veio fazer a prova?]

  • "Caso a análise seja feita baseada em dados fictícios, esta continua tendo relevância pois o objetivo principal da análise de regressão... [...] o acesso à populacão implicará em uma maior ou menor precisão do resultado final da análise".

  • "Em uma regressão múltipla, quanto maior a correlação entre as variáveis e menor a covariância entre elas, melhor sera a estimação do modelo" [tsc, tsc]

  • E pra terminar: "O fato de não ter acesso à população apenas exclui estatisticamente a possibilidade da conclusão ser 100% verdadeira. Isso faz da análise de regressão algo desprovido de relevância? Óbvio que não. Abrindo o horizonte da discussão, o que na vida é 100% verdadeir ou 100% aceito? Não muita coisa, se é que existe algo que seja. Isso é, afirmar que a análise de regressão é desprovido de relevância. Essa discussão poderia se extender [com x?] muito mas acho que podemos resumir em 'a relevância está naquele que julga relevante', e de minha parte, eu acredito que a análise de regressão seja relevante".

Esse último é gênio.

Tudo copiado por mim das provas. Eu mesmo, Thomas Kang, coletei essas pérolas.