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sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Novo secretário-geral do CMI

O Conselho Mundial de Igrejas elegeu seu novo secretário-geral: Olav Fyske Tveit (Igreja da Noruega). Tveit é proeminente em uma discussão entre as igrejas acerca do tema globalização. A Igreja da Noruega tem defendido uma posição crítica a alguns aspectos da globalização, sem, no entanto, propor medidas revolucionárias ou a condenação do mercado, como proposto por documento anterior do CMI.
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Por motivos pessoais, o ritmo de postagem desse blog vai diminuir. Estou em Porto Alegre para resolver esses problemas com a companhia de minha família. Espero em breve estar apto a postar com a freqüência usual.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Alguém sabe definir "elite"?

Em minha dissertação, tenho falado bastante dos termos "política educacional elitista", "elites" e coisas do tipo para dizer que a educação primária não foi prioridade ao longo da história. Aí o orientador pediu pra eu definir "elite".
Vocês já devem estar enjoados do Acemoglu (e do Robinson, seu co-autor) neste blog, principalmente nos últimos dias. Mas é deles uma definição que achei, um tanto quanto vaga e imprecisa (como discutia com seu Guilherme Stein dos Rabiscos). Afinal, quem é a elite? Aí vai a resposta deles:

This depends to some extent on context and the complex way in which political identities form in different societies. In many cases, it is useful to think of the elite as being the relatively rich in society, as was the case in nineteenth-century Britain and Argentina. However, this is not always the case; for instance, in South Africa, the elites were the whites and, in many African countries, the elites are associated with a particular ethnic group. In other societies, such as Argentina during some periods, the elite is the military.
It may not be a coincidence that in many situations the elite and the rich coincide. In some cases, those who are initially rich may use their resources to attain power, perhaps by bribing the military or other politicians. In other circumstances, power may be attained by people who are not initially rich. Nevertheless, once attained, political power can be used to acquire income and wealth so that those with power naturally tend to become rich. In either case, there is a close association between the elite and the rich.

Acemoglu, D. and Robinson, J. (2006) Economic Origins of Dictatorship and Democracy. Cambridge: Cambridge University Press, p. 15-16.


Alguém tem uma definição melhor? Claro, sempre tem o velho Marx falando em classe capitalista detentora dos meios de produção, mas essa categoria não serve para política educacional.

Desculpas por não traduzir o texto. Blogs devem facilitar para o leitor, mas, na academia, não tem jeito. É inglês mesmo. Assim, acho que estou sendo pedagógico.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Fotos do WEHC


Pra quem ainda não enjoou do assunto: já estão no ar as fotos oficiais do XVth World Economic History Congress 2009. Acho que apareço em apenas uma das centenas de fotos. Aí vai uma amostra do que pode ser visto por lá. Acemoglu em sua melhor pose:

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Colin Lewis na FEA


MINI CURSO “LATIN AMERICAN DEVELOPMENT IN HISTORICAL PERSPECTIVE”
De 31 de agosto a 3 de setembro, às 11h30, FEA-USP
Participante: Prof. Colin Lewis (London School of Economics)
Responsável: Prof. Dr. Renato Colistete
Realização: EAE
Inf.: 3091-5802

Imperdível.

Repercussões de Utrecht

Recebi e-mail de Aldo Musacchio, professor da Harvard Business School. Ele criticou meu paper da introdução à conclusão, mas numa boa. Faz parte mesmo. É interessante que o pessoal de história econômica mais antigo costuma gostar do paper, ao passo que os mais novos, que preferem uma estrutura mais enxuta de paper (de preferência com a utilização de variáveis instrumentais), acham o paper pouco claro.

Joesph Love mostrou ser um cara bastante solícito via e-mail. Enviou-me uma referência bem recente sobre educação no governo Vargas. Disse que a USP deveria arranjar um se não tivesse uma cópia.

Fiquei impressionado que todos esses caras muito conhecidos que mencionei são solícitos e muito menos arrogantes do que poderiam ser - eu, às vezes, devo ser mais arrogante que eles. Love é um senhor muito simpático, Peter Lindert é muito tranqüilo. Jeff Williamson prefere que o chamem de Jeff. Luis Bértola também conversa e faz piadas. Bill Summerhill não estava lá, mas sabemos que ele é muito legal. Enquanto isso, um bando de pseudo-intelectuais da academia brasileira anda com pose de rei, apenas por terem feitos contribuições marginais - quando fizeram alguma. Às vezes criaram seitas acadêmicas que mais atrasam do que ajudam.

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O próximo World Economic History Congress será em 2012 em Stellenbosch, África do Sul. Um vídeo sobre esse evento foi mostrado na sessão final em Utrecht, após o debate Mokyr-Allen. Uma produção impressionante, com direito a Arcebispo Tutu falando da importância da história econômica e convidando todos a participar.


segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Por que a Revolução Industrial foi na Inglaterra?

Foi essa a pergunta que direcionou o debate de encerramento do World Economic History Congress 2009 entre Bob Allen e Joel Mokyr. O primeiro é professor em Oxford, enquanto o segundo em Northwestern: ambos brilhantes historiadores econômicos com trabalhos sobre a Revolução Industrial. Novamente, o evento foi na Dom Kerk, a velha igreja da cidade construída no século XIII (acho eu).

Bob Allen lançou um livro recentemente sobre o tema, chamado "The British Industrial Revolution in Global Perspective", onde defende a tese de que a Inglaterra foi a pioneira por dois motivos fundamentais: o preço do carvão era mais baixo e os salários eram mais altos, levando a investimentos intensivos em capital. Tudo isso tem ver, é claro, com instituições e capital humano também.

Mokyr, por outro lado, com sua retórica, tem outros livros sobre o assunto, como este e este novo. Para Mokyr, a questão mais importante é por que teria sido na Europa - um dos países europeus chegaria de qualquer forma. O fato de ter sido a Inglaterra é importante, mas poderia ter ocorrido em outros países. As condições levantadas por Allen não eram fundamentais, não impediriam que a Revolução ocorresse em outros países europeus como Holanda, quem sabe. No final das contas, Mokyr levantou o aspecto das idéias iluministas, que certamente favoreceram a invenção. A Revolução Industrial teria sido também resultado disso e não tanto de condições relacionadas a carvão e salários - pelo menos não com a importância dada por Allen.

Allen foi mais conciso e apontou fatores causais mais claro, enquanto que Mokyr, embora tenha feito um bom discurso, não deixou claro quais teriam sido os fatores fundamentais. É difícil dizer quem tem razão. Só lendo os livros pra saber. Foi um belo debate para finalizar uma bem-sucedida semana de congresso.

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Na manhã de sexta, antes do debate, consegui ainda bater um papo sério de 5 minutos com o Peter Lindert acerca do meu trabalho. Disse pra eu estender meu período até o Bolsa Família. Repliquei que não daria tempo devido ao prazo da minha dissertação, mas ele respondeu que é só eu tomar mais café. Resolvi não comentar sobre minha gastrite.


quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Mais sobre Utrecht

Lugar feio que a gente está em Utrecht para o World Economic History Congress, não? Esse é o pátio do que chamamos de Academy Hall, ao lado da Dom Kirke, a gigantesca igreja da cidade.

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O uruguaio Luís Bértola me viu e disse em português: "Ô cara!". Aprocheguei-me e perguntei se tinha pegado pesado na pergunta. "Não - é assim que se avança", disse ele, "tu sabe que metade dos uruguaios querem ser argentinos, a outra metade quer ser brasileira. Eu faço parte do grupo dos que querem ser brasileiros". Pelo menos foi mais ou menos isso. Gente boa ele.

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Muitos aqui tem expressado seu desejo de fazer um pós-doutorado em Utrecht. Cidade muito agradável, com muitos bares e restaurantes a beira de canais. Poucos carros, muitas bicicletas. Ademais, é perto de Amsterdam, caso seja necessário ir para a cidade grande. Entre 20 e 30 minutos de trem.

Até agora, só tenho elogios à organização holandesa. Até agora não houve maiores falhas, apesar do sonífero calor que tem feito dentro de algumas das salas lotadas.

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Eu vi Angus Maddison: o homem que compilou dados de PIB pra todos os lugares em todos os tempos (claro que com problemas). Tá bem velhinho, andando lentamente e de cachecol enquanto a temperatura está por volta de 30 graus. No seminário em que esteve apresentando, mal dava pra ouvir sua voz. Nessa sessão, ele basicamente foi pessimista sobre o cenário da economia em 2030 (era esse o objetivo da sessão, fazer profecias para 2030). Os outros também foram em geral, mas nem tanto.

Infelizmente, Kevin O'Rourke não apareceu, mas Leandro Prados falou por ele. Nick Crafts também não esteve, mas Peter Lindert, que não estava previsto, fez suas considerações. Também estavam Jeff Williamson, Debin Ma, Paul Rhode, entre outros - conhecidos historiadores econômicos. Mas tinha muita especulação, não foi uma sessão tão proveitosa.

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Ontem conheci o Colin Lewis finalmente, historiador econômico especializado em América Latina da LSE. Além disso, fui também para uma sessão sobre Índia, em que havia um bom trabalho sobre financiamento da educação na Índia. Vou manter contato com a moça, que publicou na edição de março desse ano na Journal of Economic History sobre a educação primária no país em questão.




segunda-feira, 3 de agosto de 2009

O dia em que fiz Acemoglu gargalhar

Iniciou hoje o World Economic History Congress 2009. Cerca de 1200 participantes em Utrecht, cidade agradável com seus canais e particular arquitetura. Na abertura, a palestra de Daron Acemoglu do MIT sobre história e desenvolvimento na igreja da cidade. Um resumo muito bom de boa parte de seus papers, misturando seus trabalhos de mercado de trabalho e tecnologia com seus trabalhos sobre instituições, poder político e desenvolvimento.

Na primeira seção da manhã, assisti uma seção de teses. Travei contato então com Aldo Musacchio, atualmente na Harvard Business School, que trabalha com Brasil e também está interessado em educação. Além disso, após eu fazer uma pergunta, o famoso historiador brasilianista Joseph Love percebeu que eu era brasileiro e, simpaticamente, veio falar comigo. Gente boa.

Na seção da tarde, teve o vice-presidential session, presidido por Jan Luiten Van Zanden, sobre desigualdade global no longo prazo. A sessão estava completamente cheia, uma vez que lá estavam na mesa também Jeffrey Williamson, Peter Lindert, Luis Bértola, Branko Milanovic e Daron Acemoglu. Na foto, vocês podem ver Bértola, Acemoglu e Lindert em primeira mão.

E então aconteceu. O uruguaio Bértola mencionou seu trabalho sobre a mensuração de desigualdade no Brasil, em que ele usa uns dados do Leo Monastério para o Rio Grande do Sul. Até aí tudo bem, mas ele tenta aplicar isso pra todo o Brasil, pelo que eu tinha entendido. Levantei e expressei minhas preocupações, que podem não parecer engraçadas, mas piada é questão de timing:

"You are using data from Monasterio, which is for a specific province, Rio Grande do Sul, and using this pattern to the whole country. The thing is that I am from Rio Grande do Sul, and we usually claim that we are different from the rest of the country, like Bavarians or... Catalunyians. Well... because of the different historical formation of Rio Grande do Sul. If you were using this data of Rio Grande do Sul for Uruguay, I would be feeling better with that, it would make more sense... at least we drink mate..."

Assim que eu falei do mate, o Acemoglu deu uma gargalhada.

Eu fiz Acemoglu dar uma risada alta e em público. Nunca escreverei papers como ele, mas, pelo menos ele riu da minha piada. Não esperava que um turco considerado o melhor economista da nova geração fosse gargalhar devido à minha piada dos pampas.

Eu tava bem de piada. Bati um papo com o Peter Lindert depois e fiz ele dar umas risadas. Não estava conseguindo falar muito seriamente. Vou tentar ser uma pessoa séria amanhã.

Posteriormente, vou ver se faço um resumo da palestra do Acemoglu.