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sexta-feira, 31 de julho de 2009

Apresentação em Barcelona

Começaram hoje as apresentações dos papers da sessão sobre atraso latino-americano em Barcelona, como havia mencionado em posts anteriores. É uma preparação para a sessão de Utrecht na semana que vem.

Apresentei meu paper "Education, Political Power and Development in Brazil: 1930-1964" junto com outras duas pessoas na mesa: a Paola do Uruguai e Rolf Lüders do Chile. A primeira veio com um trabalho sobre características interessantes do gasto do governo no Uruguai em perspectiva histórica, enquanto que Lüders tinha um trabalho com bom embasamento teórico sobre o comércio de salitre.

Fiquei muito satisfeito que o meu paper gerou interesse da platéia, apesar da minha apresentação ter sido confusa no começo. Em particular, Jeffrey Williamson de Harvard veio no final falar comigo. Queria conversar comigo sobre a parte econométrica durante o almoço. Fiquei então conversando com ele enquanto comíamos: ele gostou bastante do assunto e me perguntou um pouco sobre a econometria. Achava que eu poderia procurar por relações não-lineares e fez também perguntas sobre a base de dados. Mais além, perguntou-me sobre minha origem e conversamos sobre São Paulo, uma vez que ele vem dar umas palestras em outubro na USP. Disse também pra eu conversar em Utrecht com o Peter Lindert, com quem já tenho mantido contato via e-mail.

Além disso, conheci muita gente legal (inclusive o Williamson: muito gente boa pra um cara que é muito famoso na história econômica). Acabo de voltar do jantar e um bom restaurante de Barcelona. Tudo pago pela organização.

sábado, 25 de julho de 2009

Viagem e publicação

Amanhã no final da tarde estarei indo pra Barcelona. Três dias de passeio, é verdade, mas depois dois dias de pre-meeting da sessão sobre atraso econômico latino-americano (Latin American Economic Backwardness: New Empirical Contributions) do World Economic History Congress 2009 na Universitat Pompeu Fabra. O programa do pre-meeting se encontra aqui.

Espero poder atualizar este blog a respeito desse evento e também sobre o evento principal em Utrecht.

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Mandei minha primeira publicação garantida para o comitê editorial. Não é publicação acadêmica com referees e tudo o mais. É meu texto chamado "Christian ethics, development and economic crises: an ecumenical perspective", que usei em minha apresentação para o Grupo Assessor em Assuntos Econômicos 2009 do Conselho Mundial de Igrejas. Todos os textos lá apresentados serão organizados e lançados em um pequeno livro editado pelo próprio CMI. Já é um começo.


terça-feira, 21 de julho de 2009

Paper não aceito

A Associação Brasileira de Pesquisadores em História Econômica (ABPHE) realizará seu congresso anual em setembro próximo. Enviei trabalho que não foi aprovado. O mesmo trabalho, em sua versão em inglês, foi aceito para o World Economic History Congress 2009, como já mencionei em posts anteriores porque fico fazendo marketing pessoal.
Hipóteses:
1) o trabalho está ruim
2) o parecerista não gosta de econometria
3) o trabalho está ruim e o parecerista não gosta de econometria

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Férias na FEA-USP

O ambiente de férias na FEA-USP conta apenas com eventos, alunos procurando professores na última tentativa de não serem reprovados e, obviamente, pós-graduandos. Infelizmente, a biblioteca vai ficar fechada por algumas semanas nesse período de férias, o que é tão desastroso para o pós-graduando quanto o fechamento de um hospital é para a população. Por mais que eu goste das bibliotecárias, não posso deixar de fazer a crítica.

Pelo menos, algumas atividades acadêmicas estão ativas. Ocorreu nessa semana a Conferência Internacional de Insumo-Produto, com os principais acadêmicos da área. Ademais, na primeira semana de agosto, teremos o Simpósio Internacional de História do Pensamento Econômico, cujo foco será a integração da microeconomia com a macroeconomia em perspectiva histórica. Assunto interessante mesmo para os menos interessados em HPE, uma vez que se trata da história recente da disciplina, cujos reflexos são mais evidentes nos modelos macroeconômicos atualmente usados.

Enquanto os alunos da graduação não voltam, o bandejão faz uma comida melhor, as filas são menores e vemos alunos sentados nos gramados. Obviamente, esses útimos não estão terminando sua dissertação.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Utilitarismo e subjetivismo

Há pouco mais de um mês, fiz algumas perguntas a Eduardo Giannetti após uma palestra proferida por ele. Como eu disse em um post anterior, eu esgotei o pobre coitado. Minha pergunta pra ele foi sobre sua posição pessoal acerca do utilitarismo e da abordagem das capacitações. Ele evitou responder diretamente sua posição, mas depois de um tempo, disse que era muito crítico ao utilitarismo.

Em meus poucos estudos sobre justiça distributiva, lembro que classicamente a utilidade pode ser identificado com (a) prazer, (b) felicidade e (c) satisfação de desejo (esse argumento está bem claro em um clássico artigo de Amartya Sen chamado "Well-Being, Agency and Freedom: the Dewey Lectures, 1984", publicado na Journal of Philosophy em alguma edição de 1985). Quaisquer dessas opções nos levam a um forte subjetivismo. É comum, por causa disso e até pela forma com que a Economia trata das funções de utilidade, que liguemos utilitarismo diretamente a subjetivismo.

No entanto, não precisa ser necessariamente assim. Como eu disse, eu estudei pouco o assunto e Giannetti me chamou atenção para o utilitarismo em Stuart Mill (o livro clássico, que eu não li, chama-se Utilitarianism, nada mais óbvio). Para Mill, é possível fazer uma espécie de ranking de coisas que podem ser mais valiosas do que outras, o que claramente é uma guinada em direção a algum tipo de objetivismo. Comentários sobre utilitarismo e Mill são portanto bem-vindos, já que eu conheço pouco do assunto. Será que uma posição utilitarista subjetivista é sustentável? Temo que não.

De qualquer forma, Giannetti pareceu no final da conversa achar a posição de Sen interessante, ao dizer que as capacitações refletem a liberdade de fazer escolhas (já que o que se busca é a expansão de funcionamentos ou functionings). Assim, a posição de Sen não seria tão objetivista. Acho que escrevi as dificuldades de encaixar a abordagem das capacitações em objetivismo ou subjetivismo em um trabalho que apresentei em Montevideo. No entanto, deixo para os leitores opinarem sobre o assunto.

Alguém leu o Felicidade do Giannetti pra ver se ele discorre sobre os problemas do utilitarismo?

domingo, 5 de julho de 2009

Exata ou social?

Quem conhece muito pouco sobre Economia costuma dizer que ela é uma ciência exata às vezes. De fato, a Economia de hoje se assemelha às ciências exatas em certos aspectos, mas, obviamente, a maioria das pessoas que afirma isso o faz pelos motivos errados.

A microeconomia como marco teórico é essencialmente matemática. Talvez esse seja o grande choque da pós-graduação. Enquanto na graduação simplesmente nos atemos mais à maximização de funções de utilidade ou lucro, a pós-graduação exige conhecimento em matemática que transcende muito o que se aprende na graduação. Isso não é um ode a superioridade da pós, até porque pouca intuição adicional é aprendida na pós-graduação.

Àqueles que tem verdadeira ojeriza a parte de exatas, eu realmente recomendo que não insista em mestrado ou doutorado em Economia. Pelo menos nas escolas ortodoxas. E, caso queira fazer nas escolas heterodoxas, é bom deixar claro que seu espaço de discussão pode ficar reduzido. Não digo isso por preconceito à heterodoxia, mas uma boa pesquisa alternativa seria muito enriquecida se o acadêmico tem o conhecimento técnico necessário para fazer críticas ao mainstream.

As inovações que os economistas costumam aceitar melhor muitas vezes partem de idéias que até foram consideradas heterodoxas em seu início. No entanto, só quando um economista com conhecimento da escola dominante se preocupa com a idéia é que se gera um programa de pesquisa mais sólido no tema. Vejamos o exemplo da Nova Economia Institucional, que retoma idéias sobre a importância das instituições ligando-as a custos de transação. Outro exemplo são idéias de justiça distributiva, praticamente marginalizadas até Sen criticar Rawls, utilitarismo e economia do bem-estar. Ambos partiram de conceitos microeconômicos já conhecidos.

Para quem quiser ver um curso de ciências sociais com teoremas e provas matemáticas, clique aqui no programa de Ph.D. da Caltech.

Sim, Economia continua sendo ciência social, mas isso não significa que a matemática seja descartada. Aliás, ela pode ser bem útil.