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quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Direitos de propriedade - não apenas para alguns

Direitos de propriedade são importantes, mas não do modo como muita gente prega. Acemoglu, Johnson e Robinson (2004, p. 9) explicam bem o que são "boas instituições":

For example, a set of economic institutions that protects the property rights of a small elite might not be inimical to economic growth when all major investment opportunities are in the hands of this elite, but could be very harmful when investments and participation by other groups are important for economic growth (see Acemoglu, 2003b). To avoid such a tautology and to simplify and focus the discussion, throughout we think of good economic institutions as those that provide security of property rights and relatively equal access to economic resources to a broad cross-section of society. Although this definition is far from requiring equality of opportunity in society, it implies that societies where only a very small fraction of the population have well-enforced property rights do not have good economic institutions.


Ou seja, não é mera defesa do status quo.

domingo, 5 de agosto de 2007

Dotação de fatores e instituições: Engerman e Sokoloff

Após ter sido ignorada por algum tempo, a literatura sobre as questões de longo prazo na história econômica da América Latina voltou a ter posição de destaque. Segundo Coatsworth (2005), houve um retorno às grandes questões que inspiraram estruturalistas, cepalinos, dependentistas, entre outros. No entanto, os novos estudos abordam os assuntos não sob essas perspectivas, mas sob uma visão da economia institucional.

Um trabalho de destaque no debate é o paper de Engerman e Sokoloff (1997), no qual os autores tentam explicar as diferentes performances de longo prazo dos países da América Latina a partir das diferenças de dotação de fatores e das instituições que elas geraram. Em posterior artigo, Engerman e Sokoloff (2002) aprofundam seus argumentos. Contrariando interpretações que buscam na cultura ou na herança nacional a fonte das disparidades entre os países latino-americanos, os autores pretendem mostrar evidências de que as instituições criadas nesses países tem forte relação com as dotações de fatores que esses países possuíam.

Para isso, Engerman e Sokoloff classificaram os países em três grupos: (1) as colônias como as ilhas do Caribe e o Brasil, cujas condições terrenas e climáticas permitiam bem-sucedida produção de açúcar e outros produtos valiosos no mercado internacional, utilizando-se grandes latifúndios com intenso uso de mão-de-obra escrava, uma vez que havia grandes economias de escala; (2) a maior parte da América Espanhola (principalmente México e Peru), locais em que havia grande quantidade de minérios valiosos e mão-de-obra nativa; e (3) a América do Norte continental, no qual a estrutura fundiária era baseada em pequenas propriedades, cuja produção consistia principalmente de grãos. Essa estrutura apresentava pequenas economias de escala, não incentivando maior uso de escravos.

Os dois primeiros tipos de organização geraram distribuições de riqueza, capital humano e poder político altamente desiguais. Com a grande quantidade de escravos (1) e nativos (2), formou-se uma pequena elite que moldou as instituições responsáveis por perpetuar as desigualdades mantendo os privilégios das elites. A Espanha, por exemplo, restringiu bastante a entrada de imigrantes nas suas possessões, provavelmente porque para as elites já constituídas, não interessava a chegada de novos europeus que pudessem concorrer com eles. Nas regiões que vieram a formar os EUA e o Canadá, a pequena quantidade de nativos existentes, as condições naturais não propícias para culturas altamente lucrativas, e a estrutura fundiária, permitiram que se formasse uma população bastante homogênea: a distribuição de riqueza, capital humano e poder político era muito mais igualitária.

Um ponto importante de Engerman e Sokoloff é que outras regiões colonizadas por britânicos como Barbados, Belize ou Providence Island, tiveram desempenho parecido com seus vizinhos. Os últimos apresentavam dotações de fatores parecidas, mas diferentes heranças nacionais. As condições iniciais são, portanto, muito importantes para explicar o desempenho de longo prazo nesses paises. Essas condições tiveram efeitos tão duradouros não apenas porque elas não mudam facilmente, mas também porque as políticas do governo e outras instituições permitiram a persistência da desigualdade política e econômica. (p. 17).


Coatsworth, J. (2005). "Structures, Endowments, and Institutions in the Economic History of Latin America". Latin America Research Review, 40 (3), October.

Engerman, S. & Sokoloff, K.(1997). "Factor Endowments, Institutions, and Differential Growth Paths among New World Economies," in Stephen Haber (ed.) How Latin America Fell Behind, Stanford University Press, Stanford, CA.

Voltando

Após as férias, período em que a preguiça tomou conta de meu corpo e cérebro, esse blog tratará de principalmente história econômica, economia institucional e, por vezes, religião. Em breve, tenho que fazer um projeto de dissertação e, portanto, não vou mais fugir de minha área.