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terça-feira, 29 de maio de 2007

O equívoco da primazia da riqueza

Meu último post foi bastante superficial e bem confuso, escrito no intervalo entre estudos do Mas-Collel e do Greene. No entanto, Stein não perdeu a oportunidade para me rebater em uma questão específica:
Respondendo ao Thomas, ao meu ver, a educação não importa muito. Ela parece importa porque ela é uma proxy da riqueza. Quanto mais rica uma sociedade, mais bem educada ela tende a ser. O que conta para a adoção de boas políticas é a riqueza da população.

Embora Stein esteja se referindo à importância da educação para que hajam boas políticas, é notório a preponderância que ele dá à riqueza em geral, uma vez que a educação é apenas proxy, uma conseqüência quase natural. Na visão tradicional da economia, o mesmo se aplica a outras variáveis como expectativa de vida, analfabetismo, mortalidade infantil, etc.

Para começar, cito Amartya Sen em um exemplo relacionado à saúde:

[...] African Americans are very many times richer in income terms than the people of China or Kerala (even after correcting for cost-of-living differences). [...]. It turns out that men in China or Kerala decisively outlive African American men in terms of surviving to older age groups.*

No caso da educação, se ela é apenas conseqüência da riqueza, ignora-se toda a literatura sobre capital humano, que tem como um dos casos clássicos o coreano. Um dos erros brasileiros foi, na minha opinião, a insistência dos economistas e políticos em acreditar que educação era apenas conseqüência, concentrando-se apenas na riqueza, no crescimento: retrato do nosso desenvolvimentismo falho. A literatura de capital humano vem justamente mostrar a importância do outro lado: o quanto o capital humano contribui para que a riqueza cresça. Vide trabalhos como o de Barro (1991)**.

Outra hora, depois que eu ler o Caplan com mais atenção, comento o que o Shikida postou no De Gustibus e retornamos ao assunto principal. As provocações não têm caráter pessoal, são apenas meios de incentivar a discussão.

*Amartya Sen (1999). Development as Freedom. Anchor Books. pp. 22-24.
** Robert J. Barro (1991). Economic Growth in a Cross Section of Countries. The Quarterly Journal of Economics, Vol. 106, No. 2. (May, 1991), pp. 407-443

segunda-feira, 28 de maio de 2007

Caplan e a armadilha das idéias

O prof. Cláudio do De Gustibus sugeriu que os blogs se manifestassem em relação às idéias de Bryan Caplan, começando com Idea Trap. Confesso que nunca lera Caplan antes, então, julgo que meus comentários a respeito do texto serão bastante superficiais, caso não sejam equivocados.

A tese fundamental do texto é de que existe uma armadilha das idéias: uma espécie de círculo vicioso (até me lembrou Myrdal). Baixo crescimento, péssimas políticas e idéias ruins estão, para Caplan, altamente relacionados. Idéias ruins geralmente aparecem em contextos ruins, crises por exemplo, que impedem as pessoas de pensar racionalmente. Obviamente, aprofunda-se o problema.

A impressão que tive do texto é que ele se concentra muito em exemplos relacionados ao comunismo. Seria mais ilustrativo e um pouco menos anacrônico se ele focasse mais em políticas intervencionistas em um sistema capitalista. Embora sejam idéias muito antigas também, criticar as teses Keynesianas seria muito mais relevante. Afinal, foi a Grande Depressão causada por políticas ruins que levaram a intervenção, outra péssima idéia? Este é apenas um exemplo. Evidentemente, exemplos mais contemporâneos seriam bem mais interessantes.

Destacar a armadilha das idéias comunistas me parece pouco produtivo pela própria natureza do totalitarismo desses países. Se rejeitássemos o problema da irracionalidade proposto por Caplan, poderíamos explicar o aprofundamento de medidas anti-mercado (mais comunistas) como resultado de decisões do governo comunista tentando manter-se no poder. Medidas pró-mercado seriam contradições (outra hora discutimos China) e, então, a única solução para manter alguma legitimidade seria tentar mais medidas comunistas na esperança de que dessem certo.

Pensemos em outro exemplo: a crise dos anos 60-70. Considerando que era uma crise, porque não vingaram idéias econômicas mais intervencionistas (ruins para Caplan, ao que parece)? Justamente nesse momento, ganham destaque nos EUA as teses de Friedman e, posteriormente, de Lucas. De fato, no Brasil, vingaram as idéias de aprofundar o processo substitutivo, como no II PND (terá sido ruim mesmo?). Mas isso parece ter mais a ver com as características (institucionais, históricas, políticas, enfim...) do país em questão.

Nesse ponto, poderíamos fazer uma concessão a Caplan: educação era muito superior nos EUA. No Brasil, a educação era (e é) negligenciada. Contudo, a Argentina, cuja qualidade educacional é muito superior a nossa, não mostrou resultados melhores. Autoritarismo e tentativa de legitimação do governo parecem explicações mais razoáveis para países latino-americanos do que uma idea trap.

Acredito que haja sim uma idea trap relacionada a crises e círculos viciosos, mas que não explica tudo. Se houver bom nível educacional, boas idéias virão - embora possam ser suprimidas por más idéias caso o sistema político assim incentive. Em caso de baixo nível educacional, o povo será massa de manobra e o sistema político estará longe de ser um democracia ideal.

Reiterando que essas são apenas impressões de quem leu um texto de Caplan e bem rapidamente.

domingo, 20 de maio de 2007

Malthus e Condorcet: como reduzir o crescimento populacional?

A preocupação quanto à questão populacional é grande, face o boom populacional que assistimos no último século. A aceleração desse crescimento era perceptível desde a Revolução Industrial e, nas últimas décadas, o problema tem se intensificado: saltamos dos 4 bilhões de pessoas para os 5 bilhões em apenas 13 anos.

Como disse no post anterior, Thomas Malthus foi o primeiro economista a falar de fome e população. No entanto, o conhecido matemático Condorcet foi o primeiro a falar do assunto, como cita o próprio Malthus em sua obra.

Embora concordassem no problema do crescimento populacional frente aos meios de subsistência, Condorcet, como bom iluminista, acreditava que o progresso da razão solucionaria o problema: a taxa de reprodução diminuiria voluntariamente, dado o avanço da educação. Malthus discordava e, por isso, pregou medidas compulsórias que provocassem o declínio do crescimento populacional.

Hoje em dia, há países que advogam proposições mais próximas a malthusiana. A China, por exemplo, não permite que famílias tenham mais que uma criança. Caso uma família transgrida a regra, ela acaba perdendo diversos direitos. O resultado é que, numa sociedade como a chinesa, as meninas que nascem são abandonadas, uma vez que as famílias têm uma preferência por um filho homem, já que ele tem que ser o único.

Diferentemente da China e de outros países e regiões, a expansão da educação em alguns outros locais, como o estado de Kerala na Índia, provocou queda maior na taxa de crescimento populacional do que a que ocorreu na China. Os dados aparecem no capítulo 9 do livro "Desenvolvimento como Liberdade" de Amartya Sen (aliás, todo post se baseia nesse capítulo, zero de criatividade).

Além das conseqüências não serem claramente melhores no caso chinês, proibir famílias de decidirem quantos filhos querem significa uma privação de direitos importantes. Considerando questões éticas e práticas, parece não haver muito fundamento na defesa de medidas tão fortemente coercitivas.

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Fome e democracia

A greve dos funcionários da USP deixou um problema para nossos estômagos: o fechamento do bandeijão. É evidente que não passamos fome, embora tenhamos que comer menos e pagando mais em outros lugares. Mas são custos que só temos por vivermos em uma democracia. No entanto, em outros lugares, o problema da fome existe.

Provavelmente, o primeiro economista a falar no assunto foi meu xará Thomas Malthus em seu "Ensaio sobre a População". Os economistas o conhecem mais por Keynes considerá-lo seu precursor e por ter travado discussões com David Ricardo em defesa dos proprietários de terra, aqueles que com suas vidas ociosas poderiam reestabelecer o equilíbrio acabando com o problema do subconsumo. No entanto, sua teoria populacional ficou mais conhecida em outros meios e, sombriamente, Malthus disse que a produção de alimentos crescia a taxas aritméticas, enquanto a população seguia em progressão geométrica. Ou seja, o mundo conheceria no futuro uma terrível fome.

O tempo mostrou que Malthus estava errado. Em dados retirados de Amartya Sen, temos que a produção de alimentos per capita tem crescido continuamente. Em um índice com base no triênio 1979-1981, temos que em 1974, o índice estava em 97,4. Em 1997, o mesmo índice apontava 111. À exceção da África, todas as regiões apresentaram aumento de alimentos por pessoa. No entanto, a fome persiste em alguns lugares e, geralmente, ela não está relacionada à falta de produção. A fome ocorrida na Irlanda no século 19 foi um caso característico: face a uma brusca mudança de preços relativos, os irlandeses ficaram destituídos, levando-os à fome. No entanto, a exportação de produtos alimentícios para a Inglaterra aumentou.

O grande problema foi a falta de ação do governo britânico na época. Amartya Sen afirma que nunca houve uma fome generalizada em ambientes democráticos ao longo da história. Pensemos então em paises que sofrem muito com fome: Coréia do Norte pode ser um bom exemplo, um país totalitário. Não preciso nem comentar sobre os contubados ambientes políticos de diversos países africanos e suas terríveis fomes e pestes.

Embora alguns conservadores, ao verem greves e tumultos, costumem amaldiçoar a democracia, o que é melhor? Testes estatísticos não corroboram as idéias de que autoritarismo é bom para o crescimento. Além disso, com eleições, os governos precisam corresponder a expectativas mínimas da sociedade (exemplo: impedir fomes generalizadas). Democracia de fato tem seus custos: ciclos políticos (Nordhaus, 1975 e outros) ou fluxos de capitais instáveis (Eichengreen, 2000). No entanto, são pequenos comparados às vantagens que ela proporciona para o bem-estar social.

sábado, 12 de maio de 2007

Um pouco de McCloskey

Quer ler um artigo divertido da professora (ex-professor) Deirdre (ex-Donald) McCloskey? Veja aí um excerto. Agradeço a dica ao De Gustibus.

Leia-o aqui:


Becker (Nobel 1992), a professor of economics and sociology at the University of Chicago, asks, for example, why people have children. Answer: because children are durable goods. They are expensive to produce and maintain, over a long period of time, like a house. They yield returns over a long future, like a car. They have a poor second-hand market, like a refrigerator. They act as a store of value against future disasters, like pawnable gold or your diamond ring. So (you will sense a logical leap here; David Hume noticed the same leap in Mandeville and Hobbes), the number of children that people have is a matter of cost and benefit, just like the purchase of a house or car or refrigerator or diamond. A prudent parent decides whether to invest in many children or few, extensively or intensively, early or late, just like investing in a durable good. vIf you think this is funny stuff you are not alone. But think again: there's no doubt that Prudence does affect at least part of the decision to have children, to emigrate, to attend church, to go to college, to commit a murder, not to speak of buying a house or a car or a loaf of bread. In his obsessive study of the Prudential part, the economist can make some quite interesting and sometimes counter-intuitive and occasionally even factually true points

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Datas da ANPEC

1 - Data das provas: 8 e 9 de outubro (segunda e terça-feira).
2 - Taxa de inscrição: R$ 300,00, para inscrições feitas de 1° a 30 de junho, e R$ 310,00, para inscrições de 1° a 31 de julho.
3 - Taxa para emissão de segunda via de resultados: R$ 15,00.
4 - Alterações no programa e bibliografia de Macroeconomia e nas bibliografias de Economia Brasileira, Estatística e Microeconomia

Fonte: http://www.econ.fea.usp.br/novo_site/pos-graduacao/apresentacao.html

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Para os que prestarão ANPEC II: Que centros escolher?

Recentemente, um visitante deste blog perguntou-me que centros eu recomendaria a pessoas interessadas no mestrado em Economia. A resposta é a mais freqüente entre os economistas, independentemente da pergunta: depende.

Depende da área de pesquisa e de seus objetivos acadêmicos. Evidentemente, os cursos com melhores contatos para um possível PhD. no exterior são os principais centros: EPGE-FGV, PUC-Rio e, de perto, IPE-USP. É claro que há alunos de outros centros que foram ao exterior. E mais, não pense que é simples ir para o exterior... não querendo estudar MUITO, nem vale a pena pensar nisso.

Por área de pesquisa, acredito que, tratando-se de ortodoxia, os três centros mencionados têm excelentes quadros. Posso falar pela USP, que não tem nomes pesquisando em Teoria Microeconômica pura, mas é certamente um dos melhores centros para se estudar Econometria e Economia Regional. Nesse último assunto, se destaca também o CEDEPLAR-UFMG.

Para aqueles que querem cursos mais ecléticos, sugiro o IPE-USP, o CEDEPLAR e a UnB. Em todos, é possível ter uma excelente formação ortodoxa e heterodoxa. A USP tem um corpo de professores muito amplo, então há diversas linhas de pesquisa.

Para os heterodoxos, Unicamp e UFRJ ocupam posições de destaque. Para os que gostam de Economia Brasileira, recomendo Unicamp ou UFRGS: os professores Pedro Fonseca (Industrialização Intencional) e Sérgio Monteiro (novo-institucionalista) são ótimos, além de outros que entendem do assunto. Para uma Economia Brasileira ortodoxa, a PUC-Rio tem o Marcelo Abreu. Escravatura pode ser estudado na UFRGS, na USP ou na UnB (deve haver outros lugares). Mas se seu enfoque é Keynes ou Economia Industrial, UFRJ e Unicamp oferecem mais alternativas.

Posso dar dicas mais específicas, é só comentar aí. Lembrem-se também que há outros quesitos que devem ser considerados para a escolha, como o clima de estudos: se há competitividade ou não, etc.


domingo, 6 de maio de 2007

Ecumenism for what?

Apenas um pequeno escrito em inglês sobre Ecumenismo. Correções e comentários são bem-vindos.
Just a brief text about Ecumenism. Corrections and comments are welcome.

Every day I receive news and higlights from several ecumenical agencies. Since I have to represent the Lutheran Church in the WCC Comission of International Affairs, I need to know everything I can about the ecumenical world.

Reading that news, sometimes it seems to me that Ecumenism is almost an end in itself. In a certain sense, Ecumenism is fundamental: it is related to the unity of the body of Christ, as Paul wrote in the letter to the Ephesians. However, Ecumenism exists because of Christ, because we have to witness our common faith. We must be a guiding light for all who are "out of the boat", i.e., it is directly related to the Mission of the Church. We must call everyone to be brothers and sisters and to recognize the resurrection of Christ.

On the other side, Ecumenism and all the structure built by the member churches of WCC can be a great instrument to serve God. Service is not only helping people who are suffering. We help them because we are Church and our faith lead us to walk towards those who are victims of all kinds of tragedies. That's why churches have to speak about economic development, poverty and dignity. But we are not a human rights NGO, we are Church - i.e., faith has a fundamental role. Unfortunately, the Western society secularization influences our member churches and sometimes, people do not see us as Church, but simply as a progressive organization that can help NGO's.

Deep spirituality must walk hand in hand with willingness to serve. We hope God may bless us and lead us to achieve these goals jointly. Needless to say, I expect that the Comission of International Affairs may be an instrument of God's will. Amen.

sábado, 5 de maio de 2007

Para os que prestarão ANPEC

Atendendo a pedidos, novamente um post dirigido àqueles que querem prestar ANPEC a fim de fazer mestrado em Economia.

1. Em bons centros de pós-graduação, é simplesmente impossível trabalhar e estudar ao mesmo tempo, pelo menos no primeiro ano. Bolsista também nem pode trabalhar. No segundo ano, há pessoas que trabalham sim. Além disso, há oportunidades de trabalhos como monitorias e aulas na própria FEA ou em outros lugares, geralmente no segundo ano. Uma monitoria é obrigatória no 3o semestre aqui na USP, sendo que você recebe cerca de R$300 pra isso.

2. Se você não tem formação em Economia, é importante que procure um cursinho para se preparar para a prova da ANPEC, que não é trivial. Mas com alguma dedicação, é possível sim: muita gente de outras áreas acaba conseguindo entrar no mestrado, até mesmo em bons centros.

3. Para entrar na USP, os pesos do curso em TE (não vai ter a opção em Institucional nesse ano) são os seguintes: Macro e Macro valem 25% cada uma, Matemática e Estatística valem 20% cada uma. Eco. Brasileira vale 10%. Para entrar na FEA/USP, é bom estar entre os 50 ou 60 primeiros.

Boa sorte a todos.

sexta-feira, 4 de maio de 2007

Revendo velhos posts

É incrível como as pessoas mudam depois de um tempo. Há um ano e meio, escrevi o seguinte post no meu antigo blog: "Sobre a Neutralidade na Ciência".

Apenas correções a fazer: imparcialidade é diferente de neutralidade. Meu amigo e colega Maracajaro sempre diz que neutralidade não existe, embora a imparcialidade possa existir. Não podemos ser neutros, mas ao menos, devemos ser imparciais. Em segundo lugar, certeza absoluta pode ser uma "burrice", mas nem sempre ser inteligente é necessário. Acho que estava na época em alguma crise religiosa.

terça-feira, 1 de maio de 2007

Modelos de crescimento na pós-graduação

Fizemos nossa primeira prova de macroeconomia na sexta-feira. Nada fora do esperado, mas tive dificuldades em um dos itens da prova. Faz parte.

O baque é muito forte na passagem da graduação para a pós-graduação na disciplina de macroeconomia. A chamada microfundamentação pode se resumir (estou sendo pouco rigoroso) em um símbolo de integral ou somatório antes da função de utilidade de um agente representativo, o que representa a agregação das utilidades individuais. Daí em diante, nada mais é do que um ritual de maximização condicionada complicada por alguns detalhes, pelo menos tratando-se de crescimento.

Os modelos são bastante simples: começam do Solow-Swan e passam por outros como Ramsey (ou Ramsey-Cass-Koopmans), Overlapping Generations (Diamond), Sidrauski, entre outros. As hipóteses são altamente simplificadoras, mas os resultados podem até prever satisfatoriamente sob algumas condições. Os testes propostos por Barro (1991)*, por exemplo, demonstram que, utilizando um conceito mais amplo de capital (que inclua o humano), temos uma boa previsão. Contudo, continuo achando os modelos altamente chatos e enfadonhos enquanto diversão teórica.

Espero com ansiedade que a macroeconomia de curto prazo seja mais divertida.

*Barro, R. J. (1991). Economic Growth in a Cross Section of Countries. The Quarterly Journal of Economics, Vol. 106, No. 2. (May, 1991), pp. 407-443.